DestaqueNotícias

Fapeal em Revista apresenta: Institutos Federais foram destaque na SBPC em Alagoas

Hoje vamos conhecer estudantes de Palmeira dos Índios, Mato Grosso e Rio Grande do Sul – estará exclusivamente em nossas redes sociais – compartilharam resultados de seus trabalhos para o público alagoano

Deriky Pereira

Estudantes do Ifal de Palmeira dos Índios apresentaram projeto que reutiliza gesso para fabricar peças de revestimento em 3D

Durante os seis dias da 70ª Reunião Anual da SBPC em Alagoas, diversas pesquisas científicas foram apresentadas ao público. Na ocasião, alguns institutos federais de ensino também marcaram presença no evento e com temas dos mais variados. Um desses projetos é o que reutiliza gesso na fabricação de placas de revestimento em 3D, apresentado pelo Eliedson Rafael de Carvalho, então aluno do 10º período de Engenharia Civil do Ifal em Palmeira dos Índios.

Segundo ele, o gesso é um resíduo altamente agressivo ao meio ambiente e, se descartado de forma inadequada, pode poluir solos e lençóis freáticos. Por isso, a equipe coletou gesso descartado em diversas obras, triturou e reutilizou nas placas apresentadas. “A gente realizou ensaios técnicos no laboratório no Ifal e trouxe essa placa pra apresentar aqui. Ela tem todas as características de uma que seja de padrão de mercado e pode ser utilizada no lugar da outra sem problemas, pois também consegue ser até 38% mais econômica do que a que utiliza gesso comercial. É uma placa que também leva cimento, areia e gesso reciclado”, comentou.

Seguindo na linha de reutilização do gesso, a equipe também aplicou o mesmo numa argamassa de assentamento, aquela que, numa construção de parede, serve para unir um tijolo ao outro. “A proposta é produzir uma argamassa pronta, que só precise acrescentar água, o que vai melhorar a produtividade na obra. Essa argamassa também atendeu aos parâmetros exigidos pela norma e o grande diferencial é a sua parte ecológica. Numa construção de um conjunto habitacional de 150 casas, por exemplo, nessas casas a gente conseguiria retirar cerca de 250 toneladas de gesso delas se utilizassem essa argamassa”, revelou o estudante.

Para o professor e orientador do projeto, Jesimiel Pinheiro, as pesquisas criam possibilidades de utilização desse reaproveitamento em projetos acabados na própria construção. “Um grande problema mundial é a quantidade de resíduos jogados em lugares inadequados. Então o que a gente quer é pegar esse resíduo e reutilizá-lo para que ele não vá ao meio ambiente de forma inadequada”, disse.

Ele também falou sobre a importância de apresenta-las no maior evento cientifico da América Latina. “Apresentar as pesquisas no evento: é uma satisfação, né? É um privilegio ter isso em nosso Estado, um evento desse porte e divulgar para o mundo cientifico as nossas pesquisas. Divulgamos já em alguns eventos científicos no Brasil e fora dele e estamos aqui no maior da América Latina na área de ciências, pra nós é um privilégio, aqui na nossa casa”, comemorou.

Frutas como novas fontes de ferro e saúde

Estudos Químicos e Tecnológicos com frutos típicos do Mato Grosso

Do Mato Grosso, a Talissa Gonçalves apresentou seu trabalho voltado para frutos típicos da região do Cerrado, como a bocaiuva e o cumbaru. Segundo ela, a bocaiuva é uma fruta rica em lipídios, carotenoides e vitamina C e tem sido utilizada em muitas áreas industriais, como a farmacêutica, parte de cosméticos e a indústria de alimentos, como sorvetes e picolés. Ela diz ainda que as frutas são objeto de estudo por estar buscando alimentos com novas fontes de ferro.

“Foi observado através dos estudos que essas frutas apresentam alto teor de ferro em sua composição e o objetivo é encontrar outros alimentos que tenham quantidade de ferro suficiente para o combate a anemia, uma vez que a nossa principal fonte hoje é o feijão. O cumbaru, por exemplo, além de ter esse alto teor de ferro, também é rico em fibras e alguns macro nutrientes como potássio, zinco e é comercializado na região na forma de aperitivo. Ele é removido de dentro do fruto, torrado e comercializado com ou sem sal”, explicou.

Perguntada se a fruta poderia ser encontrada noutros lugares do país ou apenas no Mato Grosso, ela comentou que a fruta tem alcance nacional quanto internacional. “A bocaiuva também é encontrada no Mato Grosso do Sul e algumas pessoas que passaram por aqui disseram que ela também pode ser encontrada no Recife, Maranhão, além de alguns locais de São Paulo e no Pará. Além disso, de acordo com levantamento realizado na dissertação, também pode ser encontrada no Paraguai e Venezuela.”

Já o Geriel Araújo tem como base de seu estudo a fruta curriola, um fruto aromático e rico em compostos fenólicos, que são antioxidantes para o organismo e ajudam na captura dos radicais livres. “Meu trabalho foi desenvolver um licor a partir desse fruto, licor com alta aceitabilidade e, em seguida, transferir essa tecnologia para os catadores desses frutos, as pessoas ribeirinhas que conhecem esses frutos do cerrado, uma forma também de incentivar o consumo e oferecer esses frutos, esses aromas em outros períodos do ano”, explicou.

Geriel Araújo apresentou licor de fruta típica do Mato Grosso que ajuda na captura de radicais livres do organismo (Foto – Deriky Pereira)

Segundo ele, no Cerrado, a frutificação se dá apenas uma vez no ano e o desenvolvimento do licor, torna-se, também, “uma forma de ensinar aos ribeirinhos e agricultores familiar que eles podem viver com sustentabilidade, podem aproveitar os frutos da região e não somente desmatar e produzir frutos comuns como outros que produzem”, complementou Geriel Araújo.

Para ele, os benefícios do estudo desenvolvido é a oferta desses compostos fenólicos que podem ajudar na renovação das células humanas. “Claro que uma bebida alcoólica você não pode ingerir somente por isso, mas assim como o vinho tem o seu valor, mesmo que pouca coisa, um cálice por dia, esse licor também tem. É uma fonte de compostos fenólicos que podem ajudar na renovação das nossas células. Não há estudos ainda pra comprovarmos o efeito, mas como a indicação do vinho, a indicação é um cálice por causa de todos os seus componentes e o licor pode ser consumido dessa mesma forma”, explicou.

E assim como Talissa, ele também revelou os locais em que a fruta pode ser encontrada. “A curriola pode ser encontrada do norte de São Paulo, passando pelo leste de Minas Gerais e até oeste e Goiás inteira. Em toda região do cerrado e em parte da Amazônia. Pode ser que até em outros locais seja conhecida por outro nome, mas de maneira geral, já existem alguns estudos na parte de farmácia com extratos das suas folhas e caule e ela também é utilizada na medicina popular para cicatrização de feridas”, revelou Geriel.

E aí, curtiu? Quer ler outras matérias da nossa revista? Acesse o site: http://www.fapeal.br/imprensa/fapeal-em-revista. Você também pode nos acompanhar no Instagram e no Facebook. O endereço é: @fapealemrevista.