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Fapeal em Revista apresenta: Conheça o projeto Jornal da Escola

Projeto de escola estadual de Palmeira dos Índios instiga estudantes a trabalharem com produção de textos e vídeos e desperta neles o interesse pela carreira jornalística

Deriky Pereira

Pelos corredores das tendas ExpoT&C e SBPC Jovem muitas atrações estavam expostas durante a Reunião da SBPC na Ufal e diversos populares também visitavam os estandes, em busca de saber um pouco mais dos assuntos relacionados à ciência. Enquanto realizava a caminhada em busca de pautas diferenciadas, eis que encontro um grupo de jovens de uma escola estadual com câmera e microfone em mãos. Parei, pensei e não me segurei! Era preciso falar com esse grupo!

E com quem falar primeiro? Com o repórter, claro! Adeilson Ferreira da Silva, 21 anos à época, comentou o que eles estavam fazendo: “A gente está gravando algo relacionado à robótica, além de algumas ideias que possamos levar para a nossa escola. É que estamos produzindo uma matéria, que vai para o nosso canal do YouTube e para o Facebook da escola”, explicou.

Ali, naquele momento, eu ainda não sabia, mas estava de frente para [futuros] colegas de carreira. “Essa é uma profissão que eu acho interessante, eu penso um dia em seguir a carreira como jornalista sim e através desse contato que temos lá na escola, a gente, desde os primeiros anos, os alunos, no caso, têm esse privilegio de poder conhecer mais sobre o jornalismo”, complementou Adeilson.

Você, leitor, pode não estar entendendo muito do que se trata este texto. Mas eu vou te explicar. Adeilson e seus colegas são de Palmeira dos Índios, da Escola Estadual Humberto Mendes e integram o projeto Jornal da Escola também conhecido como O Gigante Online – este, inclusive, é o nome do blog onde são disponibilizadas as matérias em texto e o do canal do YouTube.

O projeto foi criado em 2016 pelo diretor-adjunto da escola, Mário Zeymison, e surgiu do desejo de divulgar as atividades desenvolvidas dentro e fora da escola para toda a comunidade. Tudo começou com um jornal impresso, em que os estudantes atuavam como redatores, faziam as matérias dos eventos realizados no colégio e o material era distribuído externamente. Com o passar do tempo, o projeto foi acompanhando o avanço da tecnologia e se expandiu para o blog e ganhou canal no YouTube.

“Os principais objetivos eram: possibilitar o contato entre os estudantes e o universo jornalístico e a difusão das ações desenvolvidas pela Escola. Na sequência, criamos o blog e este blog também gerou 5 edições do jornal impresso O Gigante. O último passo foi a transição das matérias em vídeo para o cinema através da produção de curtas para o Encontro Estudantil da Rede Estadual e, até o momento, foram feitos 4 filmes, sendo dois documentários e dois curtas de ficção”, declarou o diretor.

Para ele, a participação e o envolvimento dos estudantes é muito positiva. “Há grande interesse por parte deles, e isso só tem aumentado ao longo dos anos, principalmente depois que a Escola aderiu ao Programa Alagoano de Ensino Integral, incluindo na sua matriz curricular a disciplina Audiovisual”, apontou Mário.

Projeto de escola estadual de Palmeira dos Índios estimula produção de matérias e reportagens

Protagonismo juvenil

A professora Raiza Barbosa, que acompanhou os estudantes na visita aos estandes, diz que a iniciativa tem dupla importância: para a escola, ao proporcionar novas formas de integração aos alunos e para a comunidade local, que fica por dentro do que acontece na instituição de ensino. “O projeto permite que eles se integrem, além de ser uma forma de conhecerem a área com a qual tem mais afinidade. Às vezes o que a gente desenvolve na escola em várias escolas fica somente na escola, então a gente acaba não conhecendo as atividades e o projeto oportuniza isso, mostrar a comunidade local o trabalho desenvolvido por eles”, destacou.

Ela disse ainda que toda essa produção visa o protagonismo juvenil. “As matérias realizadas são, na sua grande maioria, realizadas e desenvolvidas por alunos, filmadas por alunos e entrevistadas por alunos. É tudo visando o protagonismo juvenil. O Mário [Zeymison] faz um trabalho excelente. Ele tem que se dividir entre ser diretor e coordenar o projeto. Então, ele faz isso nos horários vagos que tem, como o do almoço. Tudo isso ele vai desenvolvendo junto com eles e eu acompanho quando eu posso”, declarou, seguida pela fala do diretor: “e sobre o acompanhamento e orientações, temos oficinas com profissionais das áreas de jornalismo e fotojornalismo, além de fazermos reuniões semanais para estudos coletivos e exercícios práticos”, disse ele.

E esse acompanhamento é considerado fundamental pelos estudantes que participam do projeto, como o Matheus Albuquerque, à época, com 16 anos. Um pouco mais tímido que o repórter Adeilson, ele recordou como iniciou sua participação no projeto: “Eu vi na parede um panfleto sobre o Jornal da Escola. Aí, tinham as opções que eram: redator, câmera e narrador de home office. A minha entrada para o jornal foi como redator. Eu fiz uma redação, um pequeno teste, me pediram pra fazer uma redação sobre um assunto que deram na hora e na hora tinha que escrever… Foi bom”, disse.

De redator à cinegrafista, Matheus veio para, além de visitar o evento, auxiliar os colegas que iriam gravar. “Eu vim só para auxiliar eles. Agora eu sou cinegrafista e vim para dividir o trabalho com eles, pois normalmente temos um cinegrafista para um repórter e eu trabalho com outra pessoa.”

E, assim como Adeilson, ele confessou seu desejo de seguir na carreira jornalística. “Pretendo seguir sim, porque eu sempre gostei muito da área, principalmente na área de redator. Sempre fui muito ligado a essas coisas de ler, de escrever, e eu inclusive tenho até uns poemas. Eu gosto muito de ler e é por isso que eu me sinto atraído pela área”, revelou.

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